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Portuguesa Gramática para lusófonos

B1 - B2 Nível Intermediário Portuguesa Gramática

31 tópicos

Contraste entre pretérito perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito

O perfeito apresenta eventos concluídos; o imperfeito descreve contexto, hábito ou duração; o mais-que-perfeito indica anterioridade em relação a outro passado. A escolha organiza a linha do tempo da narrativa.

  • Eu lia quando ele chegou.
  • Quando cheguei, ela já tinha saído.
  • Na infância, morávamos perto do mar.

Futuro composto

O futuro composto indica uma ação que estará concluída antes de um momento futuro. Forma-se com terei/terá/teremos + particípio.

  • Até amanhã, terei terminado o relatório.
  • Quando você chegar, eles já terão saído.
  • Em julho, teremos completado o curso.

Futuro do pretérito simples e composto / condicional

O futuro do pretérito simples, também chamado de condicional em muitos materiais, expressa hipótese, desejo ou cortesia; o futuro do pretérito composto expressa uma hipótese passada que não se realizou ou uma consequência imaginada no passado.

  • Eu viajaria mais se pudesse.
  • Gostaria de falar com você.
  • Teria ajudado se soubesse.

Presente do subjuntivo

O presente do subjuntivo aparece em contextos de desejo, dúvida, emoção, necessidade, opinião subjetiva e finalidade. Muitas vezes vem depois de que.

  • Espero que você venha.
  • É importante que ele estude.
  • Talvez chova amanhã.

Subjuntivo com desejo, dúvida, emoção, necessidade e opinião

O subjuntivo marca situações não apresentadas como fatos seguros: desejos, dúvidas, avaliações, medos e necessidades. A oração principal frequentemente aciona o modo da oração subordinada.

  • Quero que ela fique.
  • Duvido que isso seja verdade.
  • É uma pena que vocês não possam vir.

Indicativo vs subjuntivo

O indicativo apresenta fatos, certezas ou informações assumidas como reais. O subjuntivo apresenta possibilidade, incerteza, desejo, condição ou avaliação subjetiva.

  • Sei que ele vem.
  • Espero que ele venha.
  • Acho que ela está em casa. / Não acho que ela esteja em casa.

Atenção: Expressões negativas de opinião, como "não acho que", normalmente favorecem o subjuntivo: "não acho que seja fácil".

Imperativo afirmativo e negativo

O imperativo afirmativo e o negativo são usados em instruções, pedidos e conselhos. O negativo normalmente usa formas do subjuntivo.

  • Fale mais devagar.
  • Não fale tão alto.
  • Venham aqui, por favor.

Imperativo com pronomes

Quando o imperativo aparece com pronomes átonos, a posição do pronome depende da forma afirmativa ou negativa. No português brasileiro, a fala prefere muitas vezes próclise, mas a norma-padrão usa ênclise em formas afirmativas.

  • Diga-me a verdade.
  • Não me diga isso.
  • Ajude-se primeiro.

Voz passiva com ser

A passiva com ser destaca o paciente da ação. Forma-se com ser + particípio, e o particípio concorda com o sujeito paciente.

  • A carta foi enviada ontem.
  • Os documentos serão assinados amanhã.
  • A ponte é visitada por turistas.

Passiva sintética com se

A passiva sintética usa se com verbo transitivo direto e sujeito paciente. O verbo concorda com o sujeito que vem normalmente depois.

  • Vende-se casa.
  • Alugam-se quartos.
  • Publicaram-se novas regras.

Atenção: Na passiva sintética, o verbo deve concordar: "vendem-se livros", não "vende-se livros" na norma-padrão.

Se impessoal

O se impessoal indetermina o sujeito, geralmente com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação. O verbo fica normalmente na terceira pessoa do singular.

  • Vive-se bem aqui.
  • Precisa-se de funcionários.
  • Trabalha-se muito nesta empresa.

Discurso direto e indireto

O discurso direto reproduz as palavras originais; o indireto relata o conteúdo com adaptações de tempo verbal, pronomes, referências de lugar e tempo.

  • Ela disse: "Estou cansada."
  • Ela disse que estava cansada.
  • Ele perguntou se eu podia ajudar.

Concordância temporal no discurso indireto

Ao passar para o discurso indireto, tempos verbais e marcadores temporais podem mudar para manter a perspectiva do relato. Presente pode virar imperfeito; futuro pode virar condicional.

  • Ele disse que morava ali.
  • Ela afirmou que viria no dia seguinte.
  • Disseram que já tinham terminado.

Perguntas indiretas

Perguntas indiretas aparecem dentro de outra frase e não têm a mesma entoação de pergunta direta. Podem usar se, quem, onde, quando, como ou por que.

  • Não sei onde ela mora.
  • Você sabe se ele vem?
  • Perguntei quanto custava.

Orações condicionais reais e irreais

Condições reais tratam de situações possíveis ou prováveis; condições irreais tratam de hipóteses, imaginação ou situações contrárias aos fatos.

  • Se chover, fico em casa.
  • Se eu tivesse dinheiro, viajaria.
  • Se tivesse estudado, teria passado.

Se + futuro do subjuntivo

Depois de se em condições futuras reais, o português usa frequentemente o futuro do subjuntivo. Ele indica uma condição ainda não realizada.

  • Se você vier, eu preparo o jantar.
  • Se eles puderem, ajudarão.
  • Se chover amanhã, cancelamos o passeio.

Atenção: Não confunda "se eu for" com "se eu fosse": "for" aponta para futuro possível; "fosse" aponta para hipótese irreal ou menos provável.

Futuro do subjuntivo

O futuro do subjuntivo aparece em orações condicionais, temporais e relativas com referência futura. É comum depois de se, quando, assim que, quem e onde.

  • Quando eu tiver tempo, ligo.
  • Quem quiser pode entrar.
  • Assim que terminarmos, avisaremos.

Infinitivo pessoal

O infinitivo pessoal é uma forma flexionada do infinitivo que explicita o sujeito. Ele é útil quando há sujeitos diferentes ou quando se quer evitar ambiguidade.

  • É melhor sairmos cedo.
  • Antes de eles chegarem, limpei a casa.
  • Para aprendermos bem, precisamos praticar.

Infinitivo pessoal vs infinitivo impessoal

O infinitivo impessoal não marca sujeito; o pessoal marca pessoa e número. A escolha depende de clareza, estilo e relação entre os sujeitos da frase.

  • Quero estudar mais.
  • É importante estudarmos mais.
  • Depois de chegar, liguei. / Depois de chegarmos, ligamos.

Orações relativas com que, quem, o qual, cujo, onde

Relativos retomam um nome e introduzem informação sobre ele. Que é muito frequente; o qual é mais formal; cujo expressa posse; onde refere-se a lugar.

  • O texto que li era difícil.
  • A pessoa com quem falei foi gentil.
  • O autor cujo livro ganhou o prêmio chegou.

Relativos com preposição

Quando o verbo ou nome da oração relativa exige preposição, ela pode aparecer antes do relativo. Esse uso é comum em registros formais.

  • A empresa em que trabalho cresceu.
  • O assunto sobre o qual falamos é sério.
  • A pessoa de quem gosto mora longe.

Orações substantivas

Orações substantivas funcionam como sujeito, objeto ou complemento de outra oração. Muitas são introduzidas por que, se ou palavras interrogativas.

  • É claro que ele sabe.
  • Quero que você fique.
  • Não sei se ela vem.

Orações temporais com indicativo e subjuntivo

Quando a ação temporal é factual ou habitual, usa-se indicativo. Quando se refere a futuro ainda não realizado, muitas estruturas pedem subjuntivo.

  • Quando chego cedo, faço café.
  • Quando eu chegar, aviso.
  • Enquanto ela estudava, eu cozinhava.

Orações concessivas: embora, apesar de, mesmo que

Orações concessivas apresentam uma ideia contrária ao esperado. Embora e mesmo que costumam pedir subjuntivo; apesar de geralmente vem com infinitivo, substantivo ou expressão nominal.

  • Embora esteja cansado, vou sair.
  • Apesar de ter tentado, não conseguiu.
  • Mesmo que chova, iremos.

Orações consecutivas: de modo que, por isso

Orações consecutivas mostram resultado ou consequência. Podem aparecer com conectores como de modo que, de forma que, por isso e portanto.

  • Estava tarde, por isso fomos embora.
  • Ele explicou bem, de modo que todos entenderam.
  • Choveu muito; portanto, cancelaram o jogo.

Orações finais: para que + subjuntivo

Para que + subjuntivo expressa finalidade quando há sujeito explícito ou diferente. É mais elaborado que para + infinitivo.

  • Expliquei de novo para que todos entendessem.
  • Falo devagar para que você acompanhe.
  • Ela saiu cedo para que não se atrasasse.

Orações causais: já que, visto que, uma vez que

Esses conectores introduzem causas, justificativas ou premissas. São úteis em textos argumentativos e em explicações mais formais.

  • Já que você está aqui, vamos começar.
  • Visto que houve atraso, remarcaremos a reunião.
  • Uma vez que todos concordam, podemos avançar.

Perífrases verbais: acabar de, voltar a, deixar de, continuar a / continuar + gerúndio

Perífrases verbais combinam verbo auxiliar ou semiauxiliar com outro verbo para expressar aspecto: ação recente, repetição, interrupção ou continuidade. No português brasileiro, continuar + gerúndio também é muito natural.

  • Acabei de chegar.
  • Ela voltou a estudar.
  • Ele deixou de fumar.
  • Continuamos trabalhando.

Colocação pronominal: próclise, ênclise e mesóclise em reconhecimento

Próclise é pronome antes do verbo; ênclise é pronome depois do verbo; mesóclise é pronome no meio de formas futuras ou condicionais. No português brasileiro, a próclise é a opção mais natural em muitos contextos; a mesóclise é sobretudo de reconhecimento formal.

  • Não me lembro.
  • Eu me lembro disso.
  • Dar-lhe-ei uma resposta.

Conectores discursivos: além disso, no entanto, portanto

Conectores discursivos organizam argumentos, acrescentam ideias, contrastam informações e mostram conclusão. Eles são essenciais para textos mais claros e coesos.

  • O preço é alto; além disso, o serviço é lento.
  • Queria sair; no entanto, fiquei em casa.
  • Estudou muito; portanto, passou.

Locuções prepositivas

Locuções prepositivas são grupos de palavras que funcionam como preposição. Elas expressam relações de posição, causa, finalidade, companhia ou referência.

  • à frente de
  • por causa de
  • de acordo com
  • em vez de

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