Contraste entre pretérito perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito
O perfeito apresenta eventos concluídos; o imperfeito descreve contexto, hábito ou duração; o mais-que-perfeito indica anterioridade em relação a outro passado. A escolha organiza a linha do tempo da narrativa.
Eu lia quando ele chegou.
Quando cheguei, ela já tinha saído.
Na infância, morávamos perto do mar.
Futuro composto
O futuro composto indica uma ação que estará concluída antes de um momento futuro. Forma-se com terei/terá/teremos + particípio.
Até amanhã, terei terminado o relatório.
Quando você chegar, eles já terão saído.
Em julho, teremos completado o curso.
Futuro do pretérito simples e composto / condicional
O futuro do pretérito simples, também chamado de condicional em muitos materiais, expressa hipótese, desejo ou cortesia; o futuro do pretérito composto expressa uma hipótese passada que não se realizou ou uma consequência imaginada no passado.
Eu viajaria mais se pudesse.
Gostaria de falar com você.
Teria ajudado se soubesse.
Presente do subjuntivo
O presente do subjuntivo aparece em contextos de desejo, dúvida, emoção, necessidade, opinião subjetiva e finalidade. Muitas vezes vem depois de que.
Espero que você venha.
É importante que ele estude.
Talvez chova amanhã.
Subjuntivo com desejo, dúvida, emoção, necessidade e opinião
O subjuntivo marca situações não apresentadas como fatos seguros: desejos, dúvidas, avaliações, medos e necessidades. A oração principal frequentemente aciona o modo da oração subordinada.
Quero que ela fique.
Duvido que isso seja verdade.
É uma pena que vocês não possam vir.
Indicativo vs subjuntivo
O indicativo apresenta fatos, certezas ou informações assumidas como reais. O subjuntivo apresenta possibilidade, incerteza, desejo, condição ou avaliação subjetiva.
Sei que ele vem.
Espero que ele venha.
Acho que ela está em casa. / Não acho que ela esteja em casa.
Atenção: Expressões negativas de opinião, como "não acho que", normalmente favorecem o subjuntivo: "não acho que seja fácil".
Imperativo afirmativo e negativo
O imperativo afirmativo e o negativo são usados em instruções, pedidos e conselhos. O negativo normalmente usa formas do subjuntivo.
Fale mais devagar.
Não fale tão alto.
Venham aqui, por favor.
Imperativo com pronomes
Quando o imperativo aparece com pronomes átonos, a posição do pronome depende da forma afirmativa ou negativa. No português brasileiro, a fala prefere muitas vezes próclise, mas a norma-padrão usa ênclise em formas afirmativas.
Diga-me a verdade.
Não me diga isso.
Ajude-se primeiro.
Voz passiva com ser
A passiva com ser destaca o paciente da ação. Forma-se com ser + particípio, e o particípio concorda com o sujeito paciente.
A carta foi enviada ontem.
Os documentos serão assinados amanhã.
A ponte é visitada por turistas.
Passiva sintética com se
A passiva sintética usa se com verbo transitivo direto e sujeito paciente. O verbo concorda com o sujeito que vem normalmente depois.
Vende-se casa.
Alugam-se quartos.
Publicaram-se novas regras.
Atenção: Na passiva sintética, o verbo deve concordar: "vendem-se livros", não "vende-se livros" na norma-padrão.
Se impessoal
O se impessoal indetermina o sujeito, geralmente com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação. O verbo fica normalmente na terceira pessoa do singular.
Vive-se bem aqui.
Precisa-se de funcionários.
Trabalha-se muito nesta empresa.
Discurso direto e indireto
O discurso direto reproduz as palavras originais; o indireto relata o conteúdo com adaptações de tempo verbal, pronomes, referências de lugar e tempo.
Ela disse: "Estou cansada."
Ela disse que estava cansada.
Ele perguntou se eu podia ajudar.
Concordância temporal no discurso indireto
Ao passar para o discurso indireto, tempos verbais e marcadores temporais podem mudar para manter a perspectiva do relato. Presente pode virar imperfeito; futuro pode virar condicional.
Ele disse que morava ali.
Ela afirmou que viria no dia seguinte.
Disseram que já tinham terminado.
Perguntas indiretas
Perguntas indiretas aparecem dentro de outra frase e não têm a mesma entoação de pergunta direta. Podem usar se, quem, onde, quando, como ou por que.
Não sei onde ela mora.
Você sabe se ele vem?
Perguntei quanto custava.
Orações condicionais reais e irreais
Condições reais tratam de situações possíveis ou prováveis; condições irreais tratam de hipóteses, imaginação ou situações contrárias aos fatos.
Se chover, fico em casa.
Se eu tivesse dinheiro, viajaria.
Se tivesse estudado, teria passado.
Se + futuro do subjuntivo
Depois de se em condições futuras reais, o português usa frequentemente o futuro do subjuntivo. Ele indica uma condição ainda não realizada.
Se você vier, eu preparo o jantar.
Se eles puderem, ajudarão.
Se chover amanhã, cancelamos o passeio.
Atenção: Não confunda "se eu for" com "se eu fosse": "for" aponta para futuro possível; "fosse" aponta para hipótese irreal ou menos provável.
Futuro do subjuntivo
O futuro do subjuntivo aparece em orações condicionais, temporais e relativas com referência futura. É comum depois de se, quando, assim que, quem e onde.
Quando eu tiver tempo, ligo.
Quem quiser pode entrar.
Assim que terminarmos, avisaremos.
Infinitivo pessoal
O infinitivo pessoal é uma forma flexionada do infinitivo que explicita o sujeito. Ele é útil quando há sujeitos diferentes ou quando se quer evitar ambiguidade.
É melhor sairmos cedo.
Antes de eles chegarem, limpei a casa.
Para aprendermos bem, precisamos praticar.
Infinitivo pessoal vs infinitivo impessoal
O infinitivo impessoal não marca sujeito; o pessoal marca pessoa e número. A escolha depende de clareza, estilo e relação entre os sujeitos da frase.
Quero estudar mais.
É importante estudarmos mais.
Depois de chegar, liguei. / Depois de chegarmos, ligamos.
Orações relativas com que, quem, o qual, cujo, onde
Relativos retomam um nome e introduzem informação sobre ele. Que é muito frequente; o qual é mais formal; cujo expressa posse; onde refere-se a lugar.
O texto que li era difícil.
A pessoa com quem falei foi gentil.
O autor cujo livro ganhou o prêmio chegou.
Relativos com preposição
Quando o verbo ou nome da oração relativa exige preposição, ela pode aparecer antes do relativo. Esse uso é comum em registros formais.
A empresa em que trabalho cresceu.
O assunto sobre o qual falamos é sério.
A pessoa de quem gosto mora longe.
Orações substantivas
Orações substantivas funcionam como sujeito, objeto ou complemento de outra oração. Muitas são introduzidas por que, se ou palavras interrogativas.
É claro que ele sabe.
Quero que você fique.
Não sei se ela vem.
Orações temporais com indicativo e subjuntivo
Quando a ação temporal é factual ou habitual, usa-se indicativo. Quando se refere a futuro ainda não realizado, muitas estruturas pedem subjuntivo.
Quando chego cedo, faço café.
Quando eu chegar, aviso.
Enquanto ela estudava, eu cozinhava.
Orações concessivas: embora, apesar de, mesmo que
Orações concessivas apresentam uma ideia contrária ao esperado. Embora e mesmo que costumam pedir subjuntivo; apesar de geralmente vem com infinitivo, substantivo ou expressão nominal.
Embora esteja cansado, vou sair.
Apesar de ter tentado, não conseguiu.
Mesmo que chova, iremos.
Orações consecutivas: de modo que, por isso
Orações consecutivas mostram resultado ou consequência. Podem aparecer com conectores como de modo que, de forma que, por isso e portanto.
Estava tarde, por isso fomos embora.
Ele explicou bem, de modo que todos entenderam.
Choveu muito; portanto, cancelaram o jogo.
Orações finais: para que + subjuntivo
Para que + subjuntivo expressa finalidade quando há sujeito explícito ou diferente. É mais elaborado que para + infinitivo.
Expliquei de novo para que todos entendessem.
Falo devagar para que você acompanhe.
Ela saiu cedo para que não se atrasasse.
Orações causais: já que, visto que, uma vez que
Esses conectores introduzem causas, justificativas ou premissas. São úteis em textos argumentativos e em explicações mais formais.
Já que você está aqui, vamos começar.
Visto que houve atraso, remarcaremos a reunião.
Uma vez que todos concordam, podemos avançar.
Perífrases verbais: acabar de, voltar a, deixar de, continuar a / continuar + gerúndio
Perífrases verbais combinam verbo auxiliar ou semiauxiliar com outro verbo para expressar aspecto: ação recente, repetição, interrupção ou continuidade. No português brasileiro, continuar + gerúndio também é muito natural.
Acabei de chegar.
Ela voltou a estudar.
Ele deixou de fumar.
Continuamos trabalhando.
Colocação pronominal: próclise, ênclise e mesóclise em reconhecimento
Próclise é pronome antes do verbo; ênclise é pronome depois do verbo; mesóclise é pronome no meio de formas futuras ou condicionais. No português brasileiro, a próclise é a opção mais natural em muitos contextos; a mesóclise é sobretudo de reconhecimento formal.
Não me lembro.
Eu me lembro disso.
Dar-lhe-ei uma resposta.
Conectores discursivos: além disso, no entanto, portanto
Conectores discursivos organizam argumentos, acrescentam ideias, contrastam informações e mostram conclusão. Eles são essenciais para textos mais claros e coesos.
O preço é alto; além disso, o serviço é lento.
Queria sair; no entanto, fiquei em casa.
Estudou muito; portanto, passou.
Locuções prepositivas
Locuções prepositivas são grupos de palavras que funcionam como preposição. Elas expressam relações de posição, causa, finalidade, companhia ou referência.